O Brasil que queremos

Estão todos convidados a participar deste projeto, dessa busca de novas utopias, de novos protagonismos, de rejuvenescimento das lutas emancipatórias


por Emir Sader.

 

 

Com esse título, estamos começando a colocar em prática um projeto que pretende, através de um amplo ciclo de debates com movimentos sociais, culturais, com as distintas expressões da juventude, com intelectuais, professores, profissionais – em suma, com todo o mosaico dos que estão interessados no futuro do Brasil -, formular propostas do país que queremos, do Estado que queremos, da sociedade que queremos, da vida que queremos, do futuro que queremos para todos nós. E, ao mesmo tempo, mobilizar e trazer para o debate e a ação política por essas propostas setores hoje praticamente ausentes do cenário político. Por isso aos jovens e às mulheres são reservados lugares especiais, prefigurando o Brasil que queremos.

 
Nos momentos de crise, o olhar costuma baixar para os labirintos que nos amarram, impedindo-nos de ver mais além dos seus círculos viciosos. Mas de um labirinto só se sai por cima, conseguindo olhar os horizontes maiores que nos cercam e rompendo com o rotina cinzenta do dia-a-dia burocrático e institucional.

 
O Brasil que queremos pretende ser o território de socialização do debate sobre o país que almejamos, mais além dos avanços logrados na última década e dos problemas que enfrentamos hoje. Precisamos de utopias para encarar a realidade na perspectiva dos nossos sonhos. Para orientar nossos caminhos imediatos na direção do país que precisamos.

 
Nesse projeto cabem todos, mas, como já dissemos, lugar especial está reservado aos jovens e às mulheres – dois dos grandes ausentes do cenário político brasileiro. E que no entanto são a maioria do pais. E que são grandes vítimas da exclusão, do preconceito, da discriminação.

 
Sem esse horizonte, é difícil opinar sobre os dilemas contemporâneos. Numa sociedade em que a situação social da grande maioria melhorou significativamente, mas em que o genocídio dos jovens negros aumentou brutalmente, como não buscar outro tipo de sociedade? Como querer que os jovens de camadas populares participem de uma política que os exclui – da política e da própria vida?

 
Como querer que as mulheres se sintam representadas por um sistema político que rejeitou vergonhosamente a modesta reivindicação de uma cota de parlamentares mulheres, por um Congresso machista? Como querer que os jovens se sintam representados numa sociedade cujo Congresso quer mais jovens presos e condenados à morte em vida?

 
Lutamos para não retroceder para políticas ainda mais repressivas em relação aos mais pobres, mais discriminatórias em relação aos excluídos, mais exploradoras em relação aos explorados, mais alienadas em relação à grande maioria, vítima do monopólio da mídia, contra a política financiada pelo dinheiro das grandes fortunas. Lutamos para não retroceder.

 
Mas para avançar em que direção? Para que país, em que os jovens possam dizer que esse é o seu país, a sua sociedade, em que o Brasil inteiro se torne território dos jovens? Para que sociedade, em que os jovens negros não lutem apenas para sobreviver, mas para viver, com dignidade, com liberdade, com sua cultura e o seu jeito?

 
Para que sociedade, em que as mulheres não tenham que pedir aos hierarcas da política para lhes conceder cotas de parlamentares, mas disponham desse e de tantos outros direitos como mulheres.

 
Que Brasil, politicamente democrático, socialmente justo, culturalmente pluralista, economicamente desenvolvido, ecologicamente sustentável, internacionalmente soberano, humanamente justo e solidário, queremos?


Este projeto é um convite ao debate e às propostas. Para isso vai aos territórios onde estão os até aqui ausentes da política nacional, porque são excluídos, mas porque também, com razão, não se animam a lutar pelos seus direitos através de uma política viciada, feita para cair nas mãos dos mesmos políticos de sempre – homens, adultos, brancos, machistas e discriminadores.

 
É um projeto para ouvir, conversar, discutir, receber propostas, fazê-las circular, socializa-las e fazê-las convergir para um conjunto de ideias para um Brasil democrático, solidário e emancipado.

 
O projeto pretende ter um momento especial de convergência no Fórum Social temático de Porto Alegre, de 25 a 29 de janeiro de 2016, com um acampamento especial para todos os movimentos de juventude do Brasil, debates e propostas desses movimentos, um espaço particular também para os movimentos de mulheres, conferências gerais sobre O Brasil que queremos e mesas redondas sobre temas particularmente relevantes – como reforma tributária, orçamento participativo, segurança pública, entre outros.

 
Estão todos convidados a participar deste projeto, deste movimento, dessa busca de novas utopias e novas linguagens, de novos protagonismos, de rejuvenescimento das lutas emancipatórias. Logo uma página do projeto estará no ar, conterá o calendário de reuniões, documentos propostos ao debate, testemunhos de jovens, mulheres e todos os até aqui invisibilizados na política e no imaginário social brasileiro.

 
Tudo pelo Brasil que queremos, pelo pais que os jovens querem, pela sociedade que as mulheres anseiam, por um Brasil de todos, para todos e por todos.


 Curta a página do O Brasil que queremos no facebook: https://www.facebook.com/projetoobrasilquequeremos?pnref=story